terça-feira, 17 de outubro de 2017

Esta fome que me cala, em um santuário de silêncios,
Busca-me, de tempo em tempo, à deixar de "ser".
Maia dos confortáveis dias,
Sendo, androgenia de mim.
Castro fobias, fomento este caos sonoro.
Há, sobre mim, a inquietude do indizível
Pousando inocências sobre meus dedos.
Desde que aqui me puseram, morador, nesta casa sensorial
Tento lembra-me o gosto elementar do apenas "ser"
Inocente,  leve...nutrido de efemeridades.
 




Dessas feras que me tomam,
 gênese da minha quase muda selvageria,
brinco de desequilíbrios.
Tantas verdades emolduradas me brutalizam, resfriam, me vestem...
mas, basta-me o leve sopro atlântico de um oceano encantado
em que banho-me, e tudo jaz...
Dessas feras que me tomam,
 devoro-me vez ou outra,
 saudade crônica de você em mim.
Dessas feras que me devoram,
a única que sacia minha brusca selvageria
segue nômade, pura...
sendo verbo no sorriso do mundo.


sexta-feira, 27 de junho de 2014

Uma fuga rala e um anel folgado no dedo...
Filmes de um domingo sem cor...
Num carrinho de supermercado conversas entre casais, e solidões latentes.
Rubra dor.
Solícita loucura escorrendo sob minha pálida vizinhança.
Guardo aromas numa seta de incertezas e, em dúzias,
cálidas canções
de homogenia
familiarizada entre nós.
Escuto o álcool implorando verdades
neste oportuno vômito.
Restrito caminho entre sepulcros e segundos.
Líquida memória,
Líquido pensar...


Pendurou-se, a derradeira palavra, na ponta linguada de meus linguarudos dedos.
Pendurou-se ali, no balanço da lembrança, meu sorriso de criança na escada de cada sentir- metros de mim...
Agora a palavra, derradeira palavra, abraçou-se calada, cravou-se em silêncio.
Engasgada, cheia de vírgulas, virgulo vivências, trechos de física, compotas de um lindo dia;compostas de poesia, fotografo ornamentando, caos-amor-agonia...é tudo fake, ante a face ceifada dessa safada idade.
Nadar é continuidade...
Continuo em idade
 de nadar,
nadar.
 e nada continuar.
São só sentir- metros de mim!

Deparou-se, inesperadamente, com a obscuridade do que não reluz. Como rendem-se as folhas ao ceifeiro, pedaços de felicidade caíram da face inerte, que já não mirava os mesmos horizontes. Dos sonhos, e da certidão em sonhar, lhe restara um diálogo meio turvo, nos confins da memória. Permitiu-se, dali em diante, morrer! Uma, duas, três...infinitas vezes, até que não lhe fosse possível elucidar sobre inícios, ou fins. Vestida tão somente de pele, reinava infinita na solidão de quem vai...
Diante da eternidade dos cristais, embebia o olhar, as mãos e o mistério que habitava a exatidão dos seus cabelos. Cercava-se de Luas, e das flores do Sol que  pulsava em seu peito. Carregava células ancestrais nos trejeitos riscados no oco da face, e sussurrava silêncio com os pés. Cavalgando dia pós dia na brancura das buscas, vestia-se, plena, das linguagens do corpo. Ao mesmo tempo em que desenhava sorrisos na inexata infância empoeirada em seus dedos. Sem memórias, empapuçou-se  de tempo e descobriu que no vento, haviam outras verdades.Caminhou, viciando seus pés, e conheceu junto ao tempo os pontos fracos da morte. E foi-se assim, destemida, entre idas e vindas,  conhecer o vício da busca.

segunda-feira, 24 de março de 2014

Quando trancados em público, ficam cegos em seus púlpitos, seus personagens sociais encantados. Aos cristais de luz, cabe à culpa, sua força jamais bruta, beija aos lábios sua palidez profunda.
 E de aparências se vive!
Hei de ser, mama, hei de Ser. Jurou ali descascando palavras. Lavrando entre roupas, o seu melhor terno de revolucionário.
Para cada dia, uma face comprimida, sua natureza em pílulas revelava-o inda principiante neste mundo de errantes. Vendeu-se fácil... menino!
Aos músculos desavisados, evoluir sentado é caso raro nestas terras.  Falo estrangeiro, sem intenção, cato palavras burras no chão e pra não embrutecer, lhes dou abrigo. Não há mesmo santidade, em egoísmos de bondade, quero mesmo é estar em paz com meus Budas, meus Alás, Krishnas e Jeovás, ou mesmo Jesus, ou Deus menino.
Esboços...

Não vejo nada em nadar. Falo silêncio para poucos.
Foi-se ali, sem a graça dos dramas, sem a força das tramas, meu amor em silêncios.
Mimética, minha fala contida, minha força falida, desfez-se no tempo que antecede a captura...
Foi-se ali!
Foice.
Ceifado, enlatado, e tão genérico quanto o discurso dos sábios diplomados, de agora.
Foice!
Mais um remendo, mais um cheiro que, ao tempo, hei de dar por batismo.
Por enganos e tolices, minhas crenças, meninices, inda conseguem carpintar castelos em lágrimas.
Sei, foi-se assim!
Foi-se assim!

Foice.